"CÁ ENTRE NÓS: FUI EU QUEM SONHOU QUE VOCÊ SONHOU
COMIGO? OU TERIA SIDO O CONTRÁRIO?"
"Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar - mentalmente, dormindo ou acordado - todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo."
"Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo. Verdade eu queria muito (...) Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto."
Caio Fernando Abreu em Pequenas epifanias, 2ª ed. Edigraf Ltda., 2012.
Crônica publicada em O Estado de S. Paulo, 9/12/1987.
Quer ler a crônica inteira? Confira aqui: Por trás da vidraça, Caio F. Abreu


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