"VÓRTICE, VORAGEM, VERTIGEM: QUALQUER ABISMO NAS
ESTRELAS DE PAPEL BRILHANTE NO TETO."
"Choro sozinho no escuro, e você não enxuga as minhas lágrimas. Você não quer ver minha infância. Solto nesse abismo onde só brilham as estrelas de papel no teto, desguardado do anjo com suas mornas asas abertas. Você não me ouve nem me vê, e se ouvisse e visse não compreenderia quando eu abrir os braços para Ela e saudar, amável e desesperado como quem dá boas vindas ao terror consentido: voragem, bem-vinda."
"Voragem, vórtice, vertigem: ego. Farpas e trapos. Quero um solo de guitarra rasgando a madrugada. Te espero aqui onde estou, abismo, no centro do furacão. Em movimento, águas."
Caio Fernando Abreu em Pequenas epifanias, 2ª ed. Edigraf Ltda., 2012.
Crônica publicada em O Estado de S. Paulo, 4/2/1987.
Quer ler a crônica inteira? Confira aqui: No centro do furacão, Caio F. Abreu


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