De ausências e distâncias te construo
amigo
amado.
E além da forma
nem mão
nem fogo:
meu ser ausente do que sou
e do que tenho, alheio.
Na dimensão exata do teu corpo
cabe meu ser
cabe meu voo mais remoto
cabem limites, transcendências.
Na dimensão do corpo que tu tens
e que eu não toco
cabe o verso torturado
e um espesso labirinto de vontades.
Porém não sabes.
E ainda que soubesses
mais adiante,
e um roteiro pasmado de agonia
calcasse em mim sua vontade,
ainda assim
não saberias. (...)"
"(...) Me fiz em pedra.
E assim é que te falodesta vontade lenta
desta mansa espera.
Mas não me canso.
E se é feita de rudezas
minha voz,
um dia não será.
Tenho certeza."
Poema publicado em 13 de Outubro de 1969.
Poema publicado em Poesias nunca publicadas de Caio Fernando Abreu; organização de Letícia da Costa Chaplin e Márcia Ivana de Lima e Silva. Editora Record, 2012.
Poema publicado em Poesias nunca publicadas de Caio Fernando Abreu; organização de Letícia da Costa Chaplin e Márcia Ivana de Lima e Silva. Editora Record, 2012.
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