- Você está muito nervoso - ela disse sem pensar.
Ele parou em frente à janela e tirou os óculos. Os olhos, ela viu, os olhos tinham mudado. Estavam parados, como uma coisa no fundo que parecia paz. Ou desencanto.
- Eu estou muito calmo - ele disse.
Mas não eram só os olhos e o rosto sem barba, não eram só aquelas roupas bizarras, estrangeiras, nem as duas pulseiras e o anel de pedra roxa, não era só o cabelo mais comprido...
- Você mudou - ela disse.
- Tudo mudou.
Ele tornou a colocar os óculos. Ela pensou em pedir-lhe para fechar a janela. Mas não disse nada. Amassou de novo aquele papel, não tinha importância alguma. Os pingos grossos molhavam os livros e os papeis em desordem. Por trás dele tinha começado a chover.

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