"E sem ser sociólogo nem historiador, tento entender como tudo começou. Quem sabe com a própria poetização da miséria, o câncer medonho crescendo escondido enquanto todo mundo achava bonitinho o moleque de morro pedindo dinheiro. Nem escola, saúde ou comida, um troquinho, quem sabe um sambinha e tudo bem, um barquinho a deslizar. Até que o moleque armou-se até os dentes para comandar arrastões outros que não os de Elis. O único parâmetro de dar-certo-na-vida que um moleque favelado tem atualmente é ser traficante, e ser então bacana: vídeo, CD e metralhadora para matar, que a vida não vale nada."
Caio Fernando Abreu em Pequenas epifanias, 2ª ed. Edigraf Ltda., 2012.
Crônica publicada em Zero Hora, 5/11/1994.
Quer ler a crônica inteira? Confira aqui: Para ler ao som de Vinícius de Moraes, Caio F. Abreu

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