"MAIS QUE LINDA: VIVA, TENSA,
CONFUSA, LILIAN LEMMERTZ ERA MEIO RAINHA. E NOBRE."
"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Por que nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo "clima", certa "preparação". Certa "grandeza".
"Agora no fim da noite domingo, longe do colo morno da amor, a morte visita meu apartamento e fico pensando em como recuperar minha imortalidade após este próximo ponto final."
Caio Fernando Abreu em Pequenas epifanias, 2ª ed. Edigraf Ltda., 2012.
Crônica publicada em O Estado de S. Paulo, 10/6/1986.
Quer ler a crônica inteira? Confira aqui: Em memória de Lilian, Caio F. Abreu


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